
O silêncio do psicanalista é uma das “ferramentas” mais incompreendidas da psicanálise, mas também uma das mais poderosas. Para quem olha de fora, o silêncio parece ausência de trabalho, mas, na verdade, é onde um trabalho profundo está acontecendo.
Atualmente, vivemos em um mundo barulhento. Somos praticamente pressionados a preencher cada segundo com áudios, vídeos e notificações. No meio desse zum-zum-zum, você se depara com “o silêncio” nas sessões de psicanálise. Mas não um silêncio vazio e indiferente, e sim um que escuta, vivo e atento, onde finalmente você poderá ouvir a sua própria voz. Talvez por isso, muitas vezes, esse silêncio seja desconfortante.
Muitas vezes, falamos sem parar para não ter que sentir. Esse “falatório excessivo” pode ser uma defesa contra o que nos dói. Quando o analista sustenta o silêncio, ele está convidando o paciente a ir além das respostas prontas e dos “clichês” que repetimos para nós mesmos.
Então, sim, o silêncio é necessário, e todo psicanalista utiliza-se de um espaço de tempo reservado para ele (o silêncio): uns mais, outros menos.
É nas pausas e nos tropeços da fala que o inconsciente aparece. Um lapso, um esquecimento ou uma hesitação dizem muito mais do que um discurso planejado.
Diferente de uma conversa social, em que o outro espera a sua vez de falar, a escuta analítica não julga, não apressa e não interrompe; ela dá tempo para as descobertas.
O poder de ser ouvido de verdade
Ser ouvido por alguém que não está ali para dar conselhos ou lições de moral é uma experiência transformadora. Poder reconstruir sua história, costurando os retalhos da sua vida com eventos que antes pareciam desconexos, dá outro significado aos episódios vividos, e “a cura” nos chega através da compreensão de si mesmo, pelo trinômio “silêncio-fala-escuta”.
Em um mundo que não para de falar, quando foi a última vez que você foi ouvido de verdade?
Pense nisso. Abra um espaço para o seu tempo.
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